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Hospital dia: como projetar resultados financeiros para os próximos 5 anos

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Hospital dia: como projetar resultados financeiros para os próximos 5 anos
Hospital dia: como projetar resultados financeiros para os próximos 5 anos

Abrir um hospital dia pode parecer, à primeira vista, uma decisão ligada apenas à demanda médica e à estrutura assistencial. Mas a viabilidade do projeto costuma ser decidida em uma planilha bem antes da primeira cirurgia, infusão, endoscopia ou procedimento ambulatorial.


O ponto crítico é simples: o hospital dia concentra receita em períodos curtos de permanência, mas exige investimento relevante em estrutura, equipe, licenças, equipamentos, capital de giro e gestão. Se a projeção não mostrar quando a operação atinge equilíbrio, qual volume sustenta os custos e quanto caixa será necessário até lá, o risco aumenta muito.


Uma boa projeção não serve para “adivinhar” o futuro. Ela serve para testar hipóteses, enxergar gargalos e decidir se o projeto deve seguir, ser redesenhado ou esperar condições melhores.



Este conteúdo é informativo e não substitui análise contábil, jurídica, regulatória ou financeira específica para o seu projeto.


O que deve entrar em uma projeção de 5 anos


Uma projeção financeira hospital dia precisa responder a quatro perguntas centrais.


A primeira é quanto o projeto pode faturar em cada linha de serviço. A segunda é quanto custa operar com segurança, qualidade e conformidade. A terceira é quanto capital será consumido até a operação se pagar. A quarta é qual retorno o investimento pode entregar em cenários realistas.


Para chegar a essas respostas, a modelagem normalmente reúne:


  • projeção de faturamento por especialidade, procedimento, sala ou turno;

  • custos variáveis ligados ao atendimento;

  • despesas fixas mensais;

  • folha de pagamento assistencial e administrativa;

  • investimentos em obras, equipamentos, mobiliário e sistemas;

  • capital de giro;

  • impostos e taxas;

  • fluxo de caixa mensal;

  • DRE projetado hospital;

  • indicadores como margem, ponto de equilíbrio, payback e ROI.


O horizonte de 5 anos é útil porque separa três fases do negócio.


No primeiro ano, a preocupação é implantação, rampa de ocupação e consumo de caixa. No segundo e terceiro anos, o foco passa a ser ganho de escala, ajustes de contrato e controle de custos. No quarto e quinto anos, a análise mostra se o ativo amadureceu, se há espaço para expansão ou se o retorno ficou abaixo do esperado.


Comece pelo modelo assistencial e comercial


Antes de abrir a planilha, defina exatamente que tipo de hospital dia será projetado. A estrutura financeira muda bastante conforme o perfil de atendimento.


Um hospital dia cirúrgico tem lógica diferente de uma unidade focada em infusão, exames intervencionistas, oftalmologia, endoscopia, dor, pequenos procedimentos ou oncologia ambulatorial. Cada modelo tem tempo médio de sala, materiais, medicamentos, necessidade de recuperação, equipe, risco assistencial e relação com fontes pagadoras.


A pergunta não é apenas “quais serviços serão oferecidos”. A pergunta correta é: quais serviços terão demanda, margem e capacidade operacional suficientes para sustentar o negócio.


Algumas decisões precisam estar claras:


  • especialidades atendidas;

  • perfil do público, particular, convênios ou misto;

  • número de salas de procedimento ou cirurgia;

  • leitos de recuperação;

  • horários de funcionamento;

  • capacidade por turno;

  • necessidade de anestesia;

  • complexidade dos equipamentos;

  • serviços próprios e terceirizados;

  • estratégia de captação médica;

  • relacionamento com operadoras e empresas.


Esse conjunto forma a base do plano de negócios hospital dia. Sem isso, a planilha vira uma coleção de números sem ligação com a realidade.


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Mapeie a capacidade antes de estimar receita


Muitos projetos começam pelo faturamento desejado. Esse caminho é perigoso. O melhor ponto de partida é a capacidade física e assistencial.


Exemplo: se uma unidade tem duas salas de procedimento, funcionamento de segunda a sexta e cada sala comporta determinado número de atendimentos por dia, existe um teto operacional. A receita não pode crescer indefinidamente sem aumentar horários, equipe, salas ou produtividade.


A capacidade deve considerar:


  • tempo médio do procedimento;

  • tempo de preparo da sala;

  • tempo de recuperação;

  • atrasos esperados;

  • limpeza e troca de materiais;

  • agenda médica;

  • disponibilidade de anestesistas e enfermagem;

  • sazonalidade;

  • cancelamentos;

  • restrições de convênios;

  • manutenção de equipamentos.


A taxa de ocupação não nasce alta. Em geral, a operação passa por uma rampa. Projetar o primeiro mês como se a unidade já estivesse madura costuma distorcer o fluxo de caixa hospital dia.


Uma forma prática é construir três curvas:


Fase

Pergunta financeira

O que observar

Implantação

Quanto caixa será consumido antes da receita recorrente

obras, licenças, compras e equipe inicial

Rampa

Quando a unidade ganha volume suficiente

ocupação, médicos ativos e contratos

Maturidade

Qual é a margem com a operação estabilizada

produtividade, glosas, custos e reinvestimentos


A rampa pode ser mensal nos primeiros 24 meses e anual depois disso. Quanto maior o investimento hospital dia, mais cuidado deve haver com os meses iniciais.


Projete o faturamento por linha de serviço


A receita deve ser construída de baixo para cima. Isso significa estimar volume, preço médio e mix de serviços, em vez de lançar um número genérico de faturamento mensal.


A fórmula básica é simples:


`Receita = volume de atendimentos × ticket médio líquido`


Mas o detalhe está na palavra “líquido”. O ticket precisa considerar descontos, pacotes, negociações com operadoras, glosas esperadas, inadimplência e prazo de recebimento.


Um modelo mais completo pode separar:


Linha de receita

Volume

Ticket líquido

Receita estimada

Procedimentos cirúrgicos ambulatoriais

por mês

por procedimento

volume × ticket

Infusões ou terapias

por mês

por sessão

volume × ticket

Exames ou procedimentos diagnósticos

por mês

por atendimento

volume × ticket

Taxas de sala e recuperação

por mês

por uso

volume × taxa

Materiais e medicamentos reembolsáveis

por mês

margem ou repasse

conforme contrato


Também vale separar receita particular e receita de convênios. O particular pode ter recebimento mais rápido, mas depende de demanda e posicionamento. Convênios podem trazer volume, mas exigem negociação, auditoria, controle de glosas e prazos de pagamento.


Para médicos, empresários e investidores, essa distinção muda a percepção de risco. Uma projeção de faturamento hospital com muito volume, mas baixa margem e recebimento demorado, pode parecer atraente na DRE e ruim no caixa.


Estime custos variáveis por procedimento


Depois da receita, entram os custos que crescem conforme o atendimento acontece.


Em um hospital dia, os custos variáveis costumam envolver:


  • materiais médicos;

  • medicamentos;

  • órteses, próteses e materiais especiais, quando aplicável;

  • honorários de terceiros;

  • taxas de esterilização;

  • exames de apoio;

  • lavanderia;

  • descartáveis;

  • gases medicinais;

  • alimentação, quando houver;

  • taxas de cartão ou intermediação;

  • perdas, vencimentos e desperdícios.


A melhor prática é montar uma composição por procedimento ou grupo de procedimentos. Um pacote cirúrgico simples pode ter uma margem diferente de um procedimento com alto consumo de material. Uma sessão de infusão pode variar conforme a droga, o modelo de fornecimento e o contrato.


Aqui, médias amplas podem esconder problemas. O ideal é classificar as linhas por margem:


Grupo de serviços

Característica

Risco financeiro

Alta margem e baixo consumo de material

Menor dependência de insumos caros

risco operacional menor

Margem média e alto volume

Depende de agenda cheia

risco de ociosidade

Baixa margem e alto custo variável

Exige negociação precisa

risco de prejuízo por contrato

Receita alta com recebimento lento

Pode parecer lucrativo

risco de falta de caixa


Essa etapa ajuda na viabilidade hospital dia, porque mostra quais serviços pagam a estrutura e quais apenas ocupam capacidade.


Levante todos os custos fixos da operação


Custos fixos são aqueles que aparecem mesmo quando a agenda está fraca. São eles que tornam a fase inicial mais sensível.


A lista pode variar, mas em geral inclui:


  • aluguel ou custo de imóvel;

  • condomínio e utilidades;

  • energia, água, gases e internet;

  • folha administrativa;

  • coordenação de enfermagem;

  • equipe mínima assistencial;

  • limpeza e manutenção;

  • segurança e recepção;

  • contabilidade;

  • jurídico;

  • seguros;

  • sistemas de gestão;

  • prontuário eletrônico;

  • calibração e manutenção de equipamentos;

  • contratos de resíduos de saúde;

  • taxas regulatórias e licenças;

  • marketing institucional e relacionamento médico, quando aplicável.


A folha merece atenção especial. A estrutura mínima deve atender a requisitos assistenciais, escala de funcionamento e segurança do paciente. Cortar equipe no papel para melhorar a margem pode criar um orçamento hospital dia que não se sustenta na prática.


Também vale separar despesas fixas em três grupos:


Tipo de despesa

Como tratar na projeção

Essenciais desde o início

entram antes da abertura ou no primeiro mês

Escaláveis

crescem quando o volume aumenta

Eventuais ou anuais

precisam ser provisionadas mês a mês


Despesas anuais esquecidas costumam causar surpresas. Manutenções, renovações, seguros, treinamentos e atualizações precisam aparecer no fluxo, mesmo que não ocorram todos os meses.


Calcule o investimento inicial com folga técnica


Os custos para abrir hospital dia não se limitam à obra e aos equipamentos principais. A fase pré-operacional costuma consumir caixa em várias frentes ao mesmo tempo.


O investimento inicial pode incluir:


  • projeto arquitetônico e engenharia;

  • adequações sanitárias;

  • obra civil;

  • climatização;

  • gases medicinais;

  • instalações elétricas e hidráulicas;

  • equipamentos assistenciais;

  • mobiliário clínico;

  • equipamentos de tecnologia;

  • sistemas;

  • enxoval e instrumentais;

  • estoque inicial;

  • taxas, laudos e licenças;

  • contratação e treinamento antes da abertura;

  • consultorias técnicas;

  • comunicação de inauguração;

  • despesas pré-operacionais;

  • reserva de contingência.


A reserva de contingência é parte do investimento, não um luxo. Obras em saúde e implantação regulatória raramente seguem o caminho mais simples. Uma modelagem financeira hospital sem reserva tende a subestimar a necessidade de capital.


Além disso, depreciação e reposição precisam aparecer no modelo. Equipamentos quebram, exigem manutenção e podem precisar de substituição. A DRE pode registrar depreciação, mas o caixa sente quando há desembolso real para reparo ou compra.


Quer evitar erros caros? Faça o download do nosso e-book completo sobre como montar um hospital dia.
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Monte o DRE projetado ano a ano


O DRE projetado mostra a formação do resultado econômico. Ele ajuda a entender margem bruta, despesas operacionais, lucro operacional e lucro líquido.


Um formato simples pode seguir esta lógica:


Linha do DRE

Ano 1

Ano 2

Ano 3

Ano 4

Ano 5

Receita bruta






Deduções, glosas e impostos sobre receita






Receita líquida






Custos variáveis assistenciais






Margem bruta






Despesas fixas






EBITDA ou resultado operacional antes de itens contábeis






Depreciação e amortização






Resultado operacional






Despesas financeiras






Impostos sobre lucro, quando aplicável






Lucro líquido









O DRE é essencial, mas não basta. Um hospital dia pode apresentar lucro contábil e ainda assim sofrer com caixa se os convênios pagam em prazos longos, se há glosas relevantes ou se o estoque consome capital.


Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) - Exemplo

Descrição

Valor (R$)

Receita Bruta de Vendas

1.000.000,00

(-) Deduções da Receita

(100.000,00)

Receita Líquida de Vendas

900.000,00

(-) Custo das Vendas

(600.000,00)

Lucro Bruto

300.000,00

(-) Despesas Operacionais

(200.000,00)

Lucro Operacional

100.000,00

(-) Despesas Financeiras

(20.000,00)

(+) Receitas Financeiras

10.000,00

Lucro Antes do Imposto de Renda

90.000,00

(-) Imposto de Renda

(27.000,00)

Lucro Líquido do Exercício

63.000,00

Considerações Importantes


O DRE é essencial, mas não basta. Um hospital dia pode apresentar lucro contábil e ainda assim sofrer com caixa se:

  • Os convênios pagam em prazos longos;

  • Há glosas relevantes;

  • O estoque consome capital.


Por isso, o DRE deve caminhar junto com a projeção de caixa.


Construa o fluxo de caixa mensal


Para os dois primeiros anos, o fluxo de caixa deve ser mensal. Depois, pode ser anual, desde que o modelo preserve a visão dos ciclos de recebimento e pagamento.


A lógica do caixa considera quando o dinheiro entra e quando sai. Isso parece básico, mas muda tudo.


Receitas de convênios podem ser reconhecidas em um mês e recebidas depois. Materiais podem ser comprados antes do procedimento. Salários, aluguel e impostos têm datas fixas. Financiamentos exigem amortização. Obras consomem recursos antes da abertura.


O fluxo deve incluir:


  • saldo inicial de caixa;

  • aportes dos sócios;

  • financiamentos;

  • recebimentos por fonte pagadora;

  • pagamentos a fornecedores;

  • folha e encargos;

  • impostos;

  • despesas fixas;

  • investimentos;

  • parcelas de equipamentos;

  • juros;

  • amortização de dívidas;

  • saldo final de caixa.


O capital de giro nasce dessa diferença entre pagar e receber. Quanto maior o prazo médio de recebimento, maior a reserva necessária.


Tabela de Fluxo de Caixa Mensal Estimado

Mês/Ano

Receitas

Despesas

Fluxo de Caixa

Jan 2024

R$ 10.000

R$ 7.000

R$ 3.000

Fev 2024

R$ 12.000

R$ 8.000

R$ 4.000

Mar 2024

R$ 11.000

R$ 6.500

R$ 4.500

Abr 2024

R$ 13.000

R$ 9.000

R$ 4.000

Mai 2024

R$ 14.000

R$ 8.500

R$ 5.500

Jun 2024

R$ 15.000

R$ 9.500

R$ 5.500

Jul 2024

R$ 16.000

R$ 10.000

R$ 6.000

Ago 2024

R$ 17.000

R$ 10.500

R$ 6.500

Set 2024

R$ 18.000

R$ 11.000

R$ 7.000

Out 2024

R$ 19.000

R$ 11.500

R$ 7.500

Nov 2024

R$ 20.000

R$ 12.000

R$ 8.000

Dez 2024

R$ 21.000

R$ 12.500

R$ 8.500

Jan 2025

R$ 22.000

R$ 13.000

R$ 9.000

Fluxo de caixa de exemplo dos dois primeiros anos


Considerações sobre Capital de Giro


O capital de giro é essencial para a operação da empresa, pois reflete a diferença entre os recebimentos e os pagamentos. Um prazo médio de recebimento maior implica em uma reserva de capital de giro maior, garantindo que a empresa possa honrar seus compromissos financeiros.


O ponto mais perigoso de um hospital dia não é apenas dar prejuízo. É crescer em volume, consumir mais insumos e ainda não receber rápido o suficiente para pagar a operação.

A análise de viabilidade financeira precisa mostrar o menor saldo de caixa projetado. Esse número indica o capital mínimo que o projeto deve ter disponível para atravessar a rampa.


Defina premissas que possam ser defendidas


Premissas são as escolhas que alimentam o modelo. Quando elas são frágeis, toda a projeção fica frágil.


As principais premissas de um estudo de viabilidade hospital dia são:


  • número de atendimentos por sala;

  • dias de funcionamento por mês;

  • taxa de ocupação inicial e madura;

  • crescimento de volume;

  • ticket médio por linha de serviço;

  • percentual de glosas;

  • inadimplência;

  • prazo médio de recebimento;

  • custo variável por procedimento;

  • reajuste de preços;

  • inflação de despesas;

  • reajuste salarial;

  • taxa de ocupação de equipe;

  • custo de financiamento;

  • reinvestimentos;

  • impostos.


Uma boa premissa tem origem clara. Pode vir de contratos já negociados, histórico de médicos parceiros, dados internos de clínicas existentes, cotações de fornecedores, simulações de agenda ou pesquisa de demanda local.


Evite projetar “crescimento de 20% ao ano” sem explicar de onde virá esse crescimento. Crescimento pode vir de mais médicos ativos, maior conversão de pacientes, novos convênios, ampliação de horários ou inclusão de serviços. Cada origem tem custo e limite.


Trabalhe com cenários, não com uma única versão


Uma projeção única passa falsa segurança. O correto é modelar pelo menos três cenários.


Cenário

Para que serve

Exemplo de variação

Conservador

Mede resistência do projeto

menor ocupação, ticket mais baixo e recebimento mais lento

Base

Representa o plano mais provável

premissas de contrato, capacidade e demanda já defendidas

Otimista

Mostra potencial de crescimento

maior volume, melhor mix e custos controlados


O cenário conservador é o mais importante para decisão de risco. Se o projeto só funciona em cenário otimista, ele talvez precise de outro formato, menor investimento ou faseamento.


As variáveis mais sensíveis costumam ser:


  • ocupação das salas;

  • ticket líquido;

  • custo de materiais;

  • glosas;

  • prazo de recebimento;

  • folha;

  • aluguel;

  • custo da dívida;

  • tempo até maturidade.


A análise de sensibilidade mostra qual variável mais afeta o resultado. Em muitos projetos, pequenas mudanças no ticket líquido ou na ocupação alteram muito o payback hospital dia.


Calcule ponto de equilíbrio, payback e ROI


Depois de montar DRE e caixa, é hora de traduzir o modelo em indicadores.


O ponto de equilíbrio mostra o volume necessário para pagar custos e despesas. Pode ser calculado em receita mensal, número de procedimentos ou taxa de ocupação.


A lógica é:


`Ponto de equilíbrio = custos fixos ÷ margem de contribuição`


A margem de contribuição é a receita líquida menos os custos variáveis. Se ela for baixa, será preciso muito volume para cobrir a estrutura.


O payback mostra em quanto tempo o investimento inicial volta para os investidores. Ele deve ser analisado pelo caixa, não apenas pelo lucro contábil.


O ROI hospital dia mede o retorno sobre o capital investido. Pode ser calculado de formas diferentes, por isso a metodologia deve ser clara. O mais importante é comparar projetos usando a mesma régua.


Também vale acompanhar:


  • margem bruta;

  • margem EBITDA;

  • lucro líquido;

  • necessidade máxima de capital;

  • geração de caixa anual;

  • taxa de ocupação no equilíbrio;

  • dívida sobre geração de caixa;

  • receita por sala;

  • receita por médico ativo;

  • glosa sobre faturamento;

  • prazo médio de recebimento.


Esses indicadores ajudam a responder se o projeto compensa o risco, o esforço e o capital imobilizado.


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Inclua fatores regulatórios e operacionais no orçamento


Hospitais dia atuam em um ambiente regulado. A projeção precisa reconhecer prazos e exigências de licenças, vigilância sanitária, corpo de bombeiros, normas técnicas, conselho profissional, resíduos de saúde, prontuário, farmácia, esterilização, segurança do paciente e controle de infecção, conforme o escopo.


Não é necessário transformar a planilha em um manual regulatório, mas ignorar esses itens distorce prazo e custo.


Exemplos de impactos financeiros:


  • obras podem depender de adequações específicas;

  • equipamentos precisam de manutenção e calibração;

  • documentação pode atrasar a abertura;

  • algumas rotinas exigem equipe treinada;

  • contratos de resíduos e lavanderia aumentam despesa fixa;

  • seguro e responsabilidade técnica entram no custo recorrente;

  • protocolos influenciam consumo de materiais.


A pergunta “como abrir um hospital dia” não tem resposta apenas assistencial. Ela envolve operação, regulação, mercado, capital e gestão financeira hospitalar.


Faça a leitura estratégica dos resultados


Quando a projeção de resultados 5 anos estiver pronta, a decisão não deve olhar apenas para o lucro no quinto ano. O caminho até lá importa tanto quanto o destino.


Analise:


  • o maior saldo negativo de caixa;

  • o mês de break-even operacional;

  • o mês de break-even de caixa;

  • a dependência de poucos médicos ou convênios;

  • o peso de materiais caros;

  • a concentração de receita;

  • o efeito de uma ocupação abaixo do previsto;

  • a necessidade de novos aportes;

  • a capacidade de pagar dívida;

  • a possibilidade de expansão.


Um projeto pode ser viável, mas exigir mais capital do que os sócios desejam aportar. Outro pode ter bom retorno, mas risco alto por depender de um único contrato. Um terceiro pode funcionar melhor se abrir com menos salas e expansão planejada.


A projeção ajuda exatamente nisso: transformar entusiasmo em decisão estruturada.


Erros comuns ao projetar um hospital dia


Alguns erros aparecem com frequência em projetos de hospital dia.


O primeiro é confundir faturamento bruto com dinheiro disponível. Glosas, impostos, prazos e custos variáveis reduzem o valor real.


O segundo é subestimar a rampa. Mesmo com demanda, a agenda leva tempo para amadurecer.


O terceiro é tratar equipe como custo totalmente variável. Em saúde, parte relevante da equipe precisa estar disponível antes da ocupação máxima.


O quarto é esquecer capital de giro. A unidade pode precisar comprar, pagar e operar antes de receber.


O quinto é usar ticket médio sem separar mix. Procedimentos diferentes têm margens diferentes.


O sexto é não prever reinvestimentos. Equipamentos, sistemas e estrutura precisam de manutenção.


O sétimo é analisar só o cenário base. Investidores experientes olham o cenário ruim antes de se interessar pelo cenário bom.


O oitavo é fazer a planilha sem ligação com a operação. A agenda, o fluxo do paciente, o tempo de sala e a recuperação precisam conversar com os números.


Um roteiro prático para montar a projeção


Um bom planejamento financeiro hospital pode seguir esta ordem:


  1. Defina o escopo assistencial do hospital dia.

  2. Liste salas, leitos, horários e capacidade.

  3. Separe linhas de receita por serviço.

  4. Estime volume mensal com curva de rampa.

  5. Calcule ticket líquido por fonte pagadora.

  6. Levante custos variáveis por procedimento.

  7. Mapeie despesas fixas.

  8. Monte o investimento inicial completo.

  9. Inclua capital de giro e reserva de contingência.

10. Construa DRE mensal e anual.

11. Monte fluxo de caixa mensal.

12. Calcule indicadores de retorno.

13. Rode cenários e sensibilidades.

14. Revise premissas com especialistas técnicos.

15. Transforme a projeção em plano de decisão.


Esse processo pode ser feito internamente quando há equipe financeira experiente. Em projetos maiores, com sócios, investidores, dívida ou negociação com operadoras, uma consultoria para hospital dia pode ajudar a validar premissas, organizar cenários e dar mais segurança à tomada de decisão.


A projeção deve orientar a abertura, não apenas aprová-la


A melhor projeção não é aquela que mostra o maior lucro. É a que revela onde o projeto é forte, onde é vulnerável e que decisões precisam ser tomadas antes da abertura.


Se a ocupação mínima para equilibrar a operação parece alta demais, talvez o projeto precise reduzir área, rever equipe, ampliar parcerias médicas ou mudar o mix de serviços. Se o caixa fica negativo por muitos meses, talvez seja necessário aumentar capital inicial, negociar prazos ou fasear a implantação. Se a margem depende de um serviço específico, a estratégia comercial deve proteger essa linha.


Em um hospital dia, a planilha deve conversar com a arquitetura, com a agenda médica, com os contratos, com a operação assistencial e com a governança. Quando esses pontos se conectam, o estudo deixa de ser apenas um arquivo financeiro e passa a ser uma ferramenta real de decisão.


Projetar os próximos 5 anos não elimina incertezas. Mas mostra quanto risco o projeto carrega, quanto capital precisa, quando pode se pagar e quais condições precisam existir para que a abertura faça sentido. Para quem vai investir tempo, reputação e dinheiro em saúde, essa clareza vale muito antes da inauguração.


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