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Quantos Exames Mensais um Aparelho de Ressonância Precisa Realizar para se Pagar

há 11 minutos
9 min de leitura
Quantos Exames Mensais um Aparelho de Ressonância Precisa Realizar para se Pagar
Quantos Exames Mensais um Aparelho de Ressonância Precisa Realizar para se Pagar

A pergunta parece simples, mas a resposta muda completamente conforme o modelo de negócio. Um aparelho de ressonância pode precisar de 300 exames por mês para fechar a conta em uma operação enxuta e bem posicionada, ou passar de 700 exames mensais em uma estrutura com alto custo fixo, ticket baixo e financiamento pesado.


O número certo não vem do equipamento sozinho. Ele vem da combinação entre preço recebido por exame, custo variável, equipe, manutenção, financiamento, ocupação da agenda e prazo esperado de retorno sobre o investimento.


Este artigo é informativo e usa exemplos ilustrativos. Para uma decisão de investimento, os números devem ser validados com contador, consultor financeiro, fornecedores, bancos e dados reais da região.



A conta começa pela margem de contribuição


O erro mais comum é calcular o retorno dividindo o valor do equipamento pelo preço médio do exame. Essa conta ignora quase tudo que determina a viabilidade.


O que paga a operação não é o faturamento bruto. É a margem de contribuição, ou seja, o quanto sobra de cada exame depois dos custos diretamente ligados à execução daquele exame.


A fórmula básica é:


Margem de contribuição por exame = receita líquida por exame menos custo variável por exame

A receita líquida é o valor efetivamente recebido, descontando glosas esperadas, impostos sobre faturamento, taxas de cartão, repasses comerciais e outros descontos aplicáveis.


O custo variável inclui itens como:


  • Contraste, quando usado

  • Materiais descartáveis

  • Energia diretamente associada ao uso

  • Laudo, quando pago por produção

  • Comissão ou repasse por exame, se existir

  • Sedação e suporte específico, quando aplicável

  • Custos operacionais ligados ao volume


Depois disso, entra a segunda fórmula:


Exames mensais para ponto de equilíbrio = custos fixos mensais divididos pela margem de contribuição por exame

Esse é o ponto de equilíbrio. Ele mostra quantos exames a operação precisa realizar apenas para não dar prejuízo operacional.


Se a ideia é recuperar o capital investido em determinado prazo, a conta precisa incluir uma parcela mensal de retorno.


Exames mensais para se pagar = custos fixos mensais mais retorno desejado do investimento, divididos pela margem por exame

Essa diferença é essencial. Uma coisa é a operação chegar ao zero a zero. Outra é o aparelho devolver o investimento feito.


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Quais custos entram na conta mensal


Um projeto de ressonância magnética tem custos visíveis e custos que costumam aparecer tarde demais no planejamento. O equipamento é relevante, mas não é o único centro de custo.


Em geral, a estrutura mensal deve considerar:


Grupo de custo

Exemplos práticos

Equipamento

Parcela do financiamento, leasing, depreciação contábil ou custo de capital

Manutenção

Contrato preventivo, corretivo, peças, suporte técnico e tempo parado

Infraestrutura

Aluguel, obra, blindagem, climatização, nobreak, rede elétrica e adequações

Equipe

Técnicos, enfermagem, recepção, faturamento, coordenação e médicos laudadores

Operação

Sistema, PACS, RIS, telefonia, limpeza, seguros, taxas e descartáveis

Comercial

Relação com convênios, canais de indicação e custo de aquisição de demanda

Impostos e perdas

Tributação, inadimplência, glosas e descontos comerciais


Ao avaliar o custo aparelho ressonância, também é preciso olhar para a sala que ele exige. Instalação, compatibilidade elétrica, refrigeração, segurança, blindagem e adequação do fluxo de pacientes podem alterar muito o investimento total.


Isso vale tanto para uma nova clínica de diagnóstico por imagem quanto para a expansão de uma unidade já existente. Uma operação que aproveita recepção, equipe administrativa, sistema e base de pacientes pode ter ponto de equilíbrio menor do que uma clínica que começa do zero.


Três simulações ajudam a enxergar o volume necessário


Os exemplos abaixo são ilustrativos. Eles não representam uma tabela de mercado, mas mostram como pequenas mudanças de preço e custo mudam muito a quantidade de exames de ressonância necessária.


Para simplificar, vamos usar três cenários.


Cenário

Receita líquida por exame

Custo variável por exame

Margem por exame

Custo fixo mensal

Exames para empatar

Operação pressionada

R$ 450,00

R$ 90,00

R$ 360,00

R$ 180.000,00

500

Operação equilibrada

R$ 650,00

R$ 110,00

R$ 540,00

R$ 220.000,00

408

Operação com ticket maior

R$ 900,00

R$ 150,00

R$ 750,00

R$ 260.000,00

347


A leitura é direta. Quanto maior a margem por exame, menor o volume necessário para empatar. Quanto maior a estrutura fixa, maior a pressão sobre a agenda.


Mas empatar não basta quando o objetivo é recuperar o capital investido. Se a operação equilibrada do exemplo precisa cobrir R$ 220.000,00 de custos fixos e ainda gerar R$ 100.000,00 mensais para retorno do investimento, a conta muda:


  • Necessidade mensal total R$ 320.000,00


  • Margem por exame R$ 540,00


  • Exames mensais necessários 593 exames, aproximadamente


Nesse caso, o ponto de equilíbrio ressonância é de 408 exames mensais, mas o volume para cumprir uma meta de retorno sobe para perto de 600 exames.


Essa é uma distinção central em qualquer análise de viabilidade financeira clínica.


A capacidade da agenda pode limitar o retorno


Não adianta a planilha exigir 650 exames mensais se a operação real só consegue entregar 400 com qualidade e regularidade.


A capacidade ressonância magnética depende de variáveis operacionais:


  • Tempo médio por exame

  • Complexidade do mix de exames

  • Percentual de exames com contraste

  • Trocas de sala e preparo do paciente

  • Atrasos, encaixes e remarcações

  • Horas de funcionamento por dia

  • Dias de operação por mês

  • Disponibilidade de equipe e laudo

  • Tempo parado para manutenção


Uma forma simples de estimar a capacidade é:


Capacidade mensal = exames por hora vezes horas por dia vezes dias por mês vezes ocupação real da agenda

Veja alguns exemplos:


Rotina operacional

Capacidade teórica ajustada

2 exames por hora, 10 horas por dia, 22 dias por mês, 75% de ocupação

330 exames por mês

2,4 exames por hora, 12 horas por dia, 26 dias por mês, 80% de ocupação

599 exames por mês

2,4 exames por hora, 15 horas por dia, 26 dias por mês, 85% de ocupação

796 exames por mês


O percentual de ocupação real importa muito. Uma agenda que parece cheia no sistema pode perder produção por faltas, atrasos, autorizações pendentes e falhas de preparo.


Também existe diferença entre volume bruto e volume saudável. Forçar uma agenda acima da capacidade da equipe pode gerar retrabalho, queda de experiência do paciente, atrasos no laudo e aumento de erros administrativos.


O ticket médio pesa mais do que parece


Dois aparelhos com o mesmo número de exames podem ter resultados completamente diferentes. A diferença está no preço recebido, no mix de convênios e na composição de exames.


Uma clínica de ressonância magnética que depende quase totalmente de convênios com baixa remuneração precisa de volume alto. Uma operação com bom mix de particulares, empresas, protocolos especializados e contratos bem negociados pode precisar de menos exames para atingir o mesmo resultado.


O ticket médio deve ser calculado sobre o que entra no caixa, não sobre a tabela cheia.


Entram nessa análise:


  • Percentual de exames particulares

  • Participação dos principais convênios

  • Prazo médio de recebimento

  • Índice de glosa

  • Descontos concedidos

  • Exames com contraste

  • Protocolos de maior complexidade

  • Repasses médicos e custos de laudo


A rentabilidade ressonância também muda quando a clínica consegue reduzir faltas e melhorar a taxa de conversão de autorizações em exames realizados.


Um exemplo simples: se a margem por exame sobe de R$ 540,00 para R$ 650,00, mantendo a necessidade mensal total de R$ 320.000,00, o volume necessário cai de 593 para 493 exames. São 100 exames a menos por mês para o mesmo objetivo financeiro.


O prazo de payback muda completamente a meta mensal


O payback equipamento médico é o tempo necessário para recuperar o valor investido. Quanto mais curto o prazo desejado, maior a pressão sobre a agenda e sobre a margem.


Imagine um investimento total de R$ 4.800.000,00 em equipamento, instalação, obra, capital de giro e implantação. Se o objetivo for recuperar esse valor em 60 meses, a operação precisa gerar, em média, R$ 80.000,00 por mês de caixa livre para essa finalidade.


Se o prazo desejado cair para 40 meses, a necessidade sobe para R$ 120.000,00 por mês. A diferença de R$ 40.000,00 mensais pode representar dezenas de exames adicionais.


Com margem de R$ 540,00 por exame, essa diferença exigiria cerca de 74 exames a mais por mês.


Isso mostra por que o retorno sobre investimento não deve ser tratado como uma consequência automática da compra do equipamento. Ele precisa entrar no plano desde o início.


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O aparelho novo, usado ou compartilhado muda o ponto de equilíbrio


O investimento em ressonância pode seguir vários modelos. Cada um muda o risco, o caixa mensal e a velocidade de retorno.


Modelo

Impacto financeiro provável

Compra à vista

Menor despesa financeira mensal, maior imobilização de capital

Financiamento

Preserva caixa inicial, aumenta a obrigação mensal

Leasing ou locação

Pode reduzir entrada, mas exige atenção ao contrato e reajustes

Equipamento usado

Menor aquisição, possível maior risco de manutenção e menor vida útil

Parceria ou compartilhamento

Reduz investimento direto, mas divide margem e controle operacional


Não existe modelo universalmente melhor. O melhor formato depende do custo de capital, da demanda regional, da força comercial, da equipe disponível e do apetite de risco.


Em qualquer opção, o investimento diagnóstico por imagem deve ser avaliado com cenários conservador, base e otimista. A decisão fica mais segura quando o projeto sobrevive ao cenário conservador.


Como montar uma conta realista antes de investir


Um bom plano de negócios clínica não começa pelo fornecedor do equipamento. Ele começa pela demanda e pela margem.


Antes de fechar contrato, a análise deve responder algumas perguntas.


Qual é a demanda provável?


Não basta saber que existe fila por exames. É preciso estimar quantos pacientes podem ser convertidos em agenda paga, com autorização, preparo adequado e comparecimento.


Qual será o mix pagador?


Convênios, particulares, empresas, parcerias médicas e contratos institucionais têm margens diferentes. O ticket médio precisa refletir essa mistura.


Qual é o custo por exame ressonância na operação planejada?


Esse número muda conforme laudo, contraste, equipe, impostos, manutenção, energia e repasses. Uma estimativa genérica pode distorcer a decisão.


Qual será a capacidade real de agenda?


O número deve considerar tempo médio por protocolo, horário de funcionamento, equipe, manutenção e taxa de faltas.


Qual é o prazo de retorno aceitável?


Um investidor pode aceitar payback mais longo se o ativo for estratégico. Outro pode exigir retorno mais rápido. A meta muda a quantidade de exames necessária.


Quanto capital de giro será necessário?


Convênios podem pagar em prazos longos. Salários, aluguel, manutenção e financiamento vencem antes. Sem capital de giro, uma operação viável no papel pode sofrer no caixa.


Então, qual é o número mensal mais provável


Como regra prática, muitos projetos precisam mirar algo entre 400 e 700 exames mensais para se tornarem financeiramente interessantes. Abaixo disso, o projeto pode funcionar se tiver estrutura enxuta, ticket médio bom, custo fixo baixo ou se o equipamento já estiver integrado a uma operação existente. Acima disso, o projeto pode ser necessário quando há financiamento alto, baixa remuneração por exame ou estrutura fixa pesada.


Uma leitura útil é dividir em faixas:


Exames por mês

Interpretação provável

Até 300

Pode ser insuficiente para uma operação dedicada, salvo custo fixo muito baixo ou estratégia complementar

300 a 450

Pode empatar em modelos enxutos ou com boa margem

450 a 650

Faixa comum para buscar equilíbrio e retorno em muitos cenários planejados

Acima de 650

Exige operação bem organizada, agenda forte e controle rigoroso de qualidade e custos


A melhor resposta, portanto, não é apenas um número. É uma meta mensal sustentada por margem, demanda e capacidade operacional.


Para uma clínica nova, o ideal é construir a projeção de trás para frente. Defina quanto caixa a operação precisa gerar, estime a margem por exame com cuidado e só então calcule o volume necessário. Depois, teste se a agenda e o mercado conseguem entregar esse volume.


Se a planilha exigir 650 exames por mês, mas a capacidade real for 500, o projeto precisa mudar antes da compra. Pode ser no modelo de aquisição, no horário de funcionamento, no mix de pagadores, na estrutura de custos ou na estratégia comercial.


Para que um aparelho de ressonância seja financeiramente viável, é crucial integrar três elementos: volume suficiente de operações, uma margem de lucro saudável e uma disciplina rigorosa na gestão em saúde. Sem esses pilares, mesmo com uma agenda cheia, o negócio pode ser instável e frágil.


Elementos para a Viabilidade Financeira de um Aparelho de Ressonância


Para que um aparelho de ressonância seja financeiramente viável, é crucial integrar três elementos:

  • Volume Suficiente de Operações: A quantidade de exames realizados deve ser alta o suficiente para cobrir os custos fixos e variáveis associados ao funcionamento do aparelho.

  • Margem de Lucro Saudável: É necessário garantir que os preços cobrados pelos exames sejam suficientes para gerar lucro, levando em consideração os custos operacionais.

  • Disciplina Rigorosa na Gestão em Saúde: A administração deve ser eficiente, com controle rigoroso de despesas, gestão de recursos humanos e otimização de processos.


Sem esses pilares, mesmo com uma agenda cheia, o negócio pode ser instável e frágil. A falta de um ou mais desses elementos pode levar a dificuldades financeiras, comprometendo a sustentabilidade do serviço prestado.


Conclusão


Portanto, é evidente que a presença sólida dos pilares fundamentais é crucial para a estabilidade e o crescimento de qualquer negócio. Sem esses elementos, mesmo uma agenda repleta de atividades pode não ser suficiente para garantir a saúde financeira e a sustentabilidade do serviço oferecido. A ausência de um ou mais desses pilares pode resultar em desafios significativos, colocando em risco a viabilidade a longo prazo da empresa. Assim, é essencial que os gestores se atentem a esses aspectos, buscando constantemente fortalecer as bases de seu negócio para assegurar um futuro promissor e resiliente.


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