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TDABC no Bloco Operatório: Como Identificar Gargalos Ociosos e Melhorar o EBITDA

há 13 horas
9 min de leitura
TDABC no Bloco Operatório: Como Identificar Gargalos Ociosos e Melhorar o EBITDA
A ociosidade no bloco operatório nem sempre é visível nos relatórios financeiros tradicionais.

Um bloco operatório pode parecer cheio e, ainda assim, perder dinheiro por ociosidade. A sala está reservada, a equipe está escalada, a anestesia está disponível, os materiais foram separados, mas o paciente atrasa, a cirurgia anterior estende, a recuperação pós-anestésica trava ou o mapa cirúrgico deixa janelas improdutivas no meio do dia.


Esses minutos raramente aparecem com clareza no demonstrativo financeiro. Eles ficam diluídos em médias, centros de custo amplos e pacotes cirúrgicos que não mostram onde a margem se perdeu. O TDABC, custeio baseado em atividades e tempo, ajuda a mudar essa leitura. Em vez de perguntar apenas “quanto custa o centro cirúrgico?”, ele pergunta “quanto custa cada minuto de recurso usado, mal usado ou parado?”.


Para médicos, administradores hospitalares e gestores de bloco cirúrgico, essa diferença é decisiva. O problema nem sempre está no volume de cirurgias. Muitas vezes, está na combinação entre tempo, capacidade prática, agenda, mix de procedimentos e precificação.



Por que o custeio tradicional falha no bloco operatório


O bloco operatório concentra custos altos e grande variabilidade. Uma cirurgia curta pode exigir materiais caros. Uma cirurgia longa pode consumir muito tempo de sala, anestesia e enfermagem. Um procedimento simples pode gerar atraso se houver falha de preparo, documentação incompleta ou indisponibilidade de leito.


O custeio tradicional tende a agrupar despesas e distribuí-las por critérios médios, como número de procedimentos, horas totais ou rateios contábeis. Isso é útil para fechar o mês, mas limitado para decisões de gestão.


Na prática, esse modelo pode esconder três situações críticas:


  • Procedimentos com preço aparentemente adequado, mas margem baixa quando o tempo real é considerado.

  • Salas com boa ocupação bruta, mas baixa produtividade por atrasos, trocas longas e cancelamentos.

  • Recursos caros com capacidade ociosa, como equipes, equipamentos, anestesia, CME ou recuperação pós-anestésica.


O resultado é uma visão incompleta da rentabilidade. O centro cirúrgico parece operar dentro do esperado, mas o EBITDA hospitalar sofre porque a capacidade instalada não se converte em receita suficiente.


O que o TDABC mostra que a média esconde


O TDABC calcula o custo a partir de dois elementos simples:


Custo por unidade de tempo do recurso


Quanto custa manter uma sala, uma equipe ou um equipamento disponível por minuto, considerando sua capacidade prática.


Tempo consumido pelo paciente ou procedimento


Quanto tempo cada etapa usa desses recursos, desde o preparo até a liberação da sala ou da recuperação.


A lógica é direta. Se uma sala cirúrgica custa R$ 30 por minuto de capacidade prática e um procedimento ocupa 90 minutos de sala, o custo de sala atribuído é de R$ 2.700. Se a anestesia, a enfermagem, a CME e a recuperação também têm taxas por minuto, o custo completo começa a ficar mais claro.


Esse exemplo é apenas ilustrativo. Cada hospital precisa calcular sua própria taxa com base em folha, encargos, depreciação, manutenção, contratos, materiais indiretos, energia, limpeza e capacidade prática real.


O valor do TDABC centro cirúrgico está em transformar o bloco em um conjunto de fluxos mensuráveis. Em vez de olhar apenas o custo mensal, o gestor passa a enxergar quanto cada etapa consome, onde há espera e quais procedimentos sustentam ou corroem a margem.


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Gargalo ocupado não é o mesmo que gargalo ocioso


Quando se fala em gargalos no centro cirúrgico, a imagem comum é a sala cheia, com fila de pacientes e equipe sobrecarregada. Esse é o gargalo ocupado. Ele limita a produção porque a demanda supera a capacidade naquele ponto.


Mas existe outro problema menos visível: o gargalo ocioso.


Ele acontece quando um recurso caro fica disponível, mas não gera valor porque outra etapa falhou. A sala está montada, mas o paciente ainda não subiu. A equipe está pronta, mas o cirurgião atrasou. A cirurgia terminou, mas a sala não libera porque falta equipe de limpeza ou transporte. A próxima cirurgia não entra porque não há vaga na RPA ou leito na unidade de internação.


Nesses casos, a capacidade existe. O custo também. A receita, não.


Essa diferença importa muito para a gestão. Um gargalo ocupado pode exigir ampliação de capacidade, revisão de agenda ou redistribuição de casos. Um gargalo ocioso pede outra resposta, como ajuste de processos, disciplina de horários, melhor sequenciamento, integração com leitos ou redução de variabilidade.


Confundir os dois leva a investimentos errados. Um hospital pode comprar equipamentos, contratar equipe ou abrir sala adicional quando o problema real está na utilização da capacidade já instalada.


Onde a ociosidade costuma aparecer no bloco operatório


A ociosidade raramente surge em um único ponto. Ela se forma por pequenos desalinhamentos ao longo da jornada cirúrgica.


Antes da entrada em sala


Atrasos pré-operatórios têm grande impacto porque empurram todo o mapa do dia. Entre as causas comuns estão:


  • Exames pendentes ou documentação incompleta.

  • Consentimento não registrado no momento certo.

  • Paciente internado tardiamente.

  • Falta de confirmação de materiais especiais.

  • Equipe cirúrgica chegando após o horário planejado.


O TDABC ajuda a precificar essas perdas porque traduz espera em custo por minuto. Atrasos que pareciam operacionais passam a ter valor econômico mensurável.


Durante o uso da sala


Nem todo tempo de sala tem o mesmo peso gerencial. O tempo entre entrada e saída do paciente inclui anestesia, preparo, posicionamento, incisão, fechamento, curativo e transferência. Já o tempo cirúrgico pode representar apenas parte desse ciclo.


Se a análise usa apenas “duração da cirurgia”, ela subestima o custo sala cirúrgica. Para precificação cirúrgica, o melhor é separar as etapas. Assim, fica claro se a variação vem da técnica, da anestesia, do preparo, da complexidade do paciente ou da troca entre procedimentos.


Entre uma cirurgia e outra


O tempo de giro de sala é um dos pontos mais sensíveis. Pequenas diferenças acumuladas ao longo do dia reduzem a ocupação útil.


Uma troca de sala que deveria durar 25 minutos, mas frequentemente chega a 45 minutos, consome 20 minutos improdutivos. Em quatro trocas, são 80 minutos. Isso pode equivaler a uma cirurgia curta perdida ou a um atraso que gera hora extra no fim do dia.


Depois da cirurgia


A recuperação pós-anestésica, a disponibilidade de leitos e o transporte interno podem travar o fluxo. Quando isso ocorre, o centro cirúrgico paga a conta mesmo que a causa esteja fora da sala.


Essa é uma das razões pelas quais a gestão bloco operatório precisa dialogar com internação, UTI, hotelaria, farmácia, CME e equipes médicas. O custo aparece no bloco, mas a origem pode estar em outra área.


Como calcular custo por procedimento com TDABC


Um bom modelo não precisa começar complexo. Ele precisa ser confiável, simples o suficiente para ser mantido e detalhado onde a decisão exige detalhe.


Defina o escopo da análise


Comece por procedimentos com alto volume, alta variabilidade ou margem incerta. Exemplos comuns incluem ortopedia, cirurgia geral, ginecologia, urologia, hemodinâmica cirúrgica ou procedimentos com OPME relevante.


A pergunta inicial deve ser objetiva: quais procedimentos precisam de melhor leitura de custo por procedimento e margem?


Mapeie a jornada real do paciente


O mapa deve refletir o que acontece, não apenas o protocolo ideal. Inclua etapas como:


  • Admissão e preparo.

  • Transporte até o bloco.

  • Entrada em sala.

  • Indução anestésica.

  • Preparo cirúrgico.

  • Incisão e fechamento.

  • Saída de sala.

  • Limpeza e remontagem.

  • Recuperação pós-anestésica.

  • Liberação para leito ou alta.


Cada etapa deve ter tempo medido ou estimado com critério. O ideal é usar marcações do sistema cirúrgico, prontuário eletrônico, escala, mapa de sala e observação direta quando necessário.


Calcule a capacidade prática


Capacidade teórica não serve para boas decisões. Uma sala disponível 10 horas por dia não produz 10 horas líquidas de cirurgia. Há pausas, limpeza, manutenção, treinamentos, atrasos inevitáveis e variações operacionais.


A capacidade prática é o tempo realmente disponível para atendimento produtivo. Ela costuma ser menor que a capacidade teórica e deve ser revisada periodicamente.


A fórmula básica é:


`Taxa de custo da capacidade = custo total do recurso / capacidade prática em minutos`


Depois:


`Custo da atividade = taxa de custo da capacidade x tempo consumido`


Essa lógica pode ser aplicada a sala, enfermagem, anestesia, equipamentos, recuperação, CME e outros recursos relevantes.


Separe custo direto, tempo e capacidade


Materiais, medicamentos e OPME devem permanecer rastreados como custos diretos sempre que possível. O TDABC entra com força nos recursos de tempo e capacidade.


Essa separação evita distorções. Dois procedimentos podem consumir o mesmo tempo de sala, mas ter materiais muito diferentes. Da mesma forma, dois procedimentos com material parecido podem ter tempos e margens muito distintos.


Como o TDABC melhora a precificação cirúrgica


A precificação baseada apenas em tabela, histórico ou negociação com fonte pagadora pode deixar margens frágeis. O bloco operatório precisa saber o custo mínimo aceitável para cada linha de procedimento, considerando variações reais.


Com o TDABC, a administração consegue comparar:


  • Preço contratado.

  • Receita líquida esperada.

  • Materiais e medicamentos usados.

  • Tempo de sala, anestesia, enfermagem e recuperação.

  • Custo por minuto cirúrgico.

  • Margem por procedimento.

  • Margem por especialidade.

  • Impacto da capacidade ociosa centro cirúrgico.


Essa leitura melhora a negociação com operadoras, a revisão de pacotes e a priorização de agendas. Também evita decisões baseadas apenas em volume. Um procedimento frequente pode ocupar muito tempo e entregar margem baixa. Outro, menos volumoso, pode usar melhor a capacidade e contribuir mais para a rentabilidade centro cirúrgico.


O objetivo não é transformar a assistência em cálculo frio. É garantir que a estrutura necessária para uma assistência segura seja sustentada por preços e processos coerentes.


Como identificar gargalos ociosos com dados simples


Nem todo hospital precisa começar com ferramentas sofisticadas. O primeiro ganho costuma vir da disciplina de medir os eventos certos.


Um painel inicial pode acompanhar:


Indicador

O que revela

Primeira cirurgia iniciada no horário

Disciplina de abertura do mapa

Tempo de giro de sala

Perdas entre procedimentos

Tempo de sala sem paciente

Capacidade paga sem uso assistencial

Cancelamentos no dia

Receita perdida e custo de prontidão

Atraso por motivo

Origem da perda operacional

Ocupação sala cirúrgica

Uso da capacidade disponível

Tempo de recuperação

Possível trava pós-operatória

Margem por procedimento

Relação entre receita, custo e tempo


O cuidado principal é evitar dados sem decisão. Se a organização mede atraso, precisa classificar o motivo e agir sobre ele. Se mede ocupação, precisa separar ocupação bruta de ocupação produtiva. Uma sala pode estar bloqueada no mapa, mas não estar produzindo receita.


A mesma lógica vale para eficiência centro cirúrgico e produtividade centro cirúrgico. Taxas altas só têm valor se refletirem fluxo real, segurança e margem sustentável.


O efeito no EBITDA vem da capacidade que passa a gerar valor


O EBITDA melhora quando a operação transforma melhor seus recursos em resultado operacional. No bloco cirúrgico, isso pode acontecer por quatro caminhos.


Redução de minutos improdutivos


Menos atrasos, menos trocas longas e menos cancelamentos reduzem o custo invisível da capacidade parada. A mesma estrutura consegue atender mais casos ou terminar o dia com menor pressão de hora extra.


Melhor mix de procedimentos


Ao conhecer custo e margem por linha cirúrgica, o hospital pode organizar agendas com mais inteligência. Isso não significa escolher apenas procedimentos rentáveis. Significa entender o impacto econômico do mix e negociar melhor quando a margem não cobre o custo.


Preços mais alinhados ao consumo real


A precificação cirúrgica ganha base técnica. Pacotes que parecem adequados podem ser revistos quando o tempo real, os recursos envolvidos e a variabilidade mostram outra realidade.


Menos investimento desnecessário


Antes de montar centro cirúrgico adicional ou ampliar salas, o TDABC ajuda a testar a viabilidade centro cirúrgico com base em capacidade prática. Se há ociosidade relevante no bloco atual, a prioridade pode ser recuperar produtividade antes de investir em expansão.


Cuidados para não transformar o TDABC em mais um relatório


O TDABC falha quando vira um projeto contábil isolado. Ele precisa envolver quem conhece a rotina assistencial e quem decide sobre agenda, contratos e capacidade.


Algumas práticas aumentam a chance de sucesso:


  • Começar pequeno, com procedimentos de alto impacto.

  • Validar tempos com equipes assistenciais.

  • Separar variação clínica legítima de desperdício operacional.

  • Atualizar taxas de custo quando a estrutura muda.

  • Usar os dados em reuniões de mapa, contratos e orçamento.

  • Evitar punição individual baseada em indicador isolado.


O bloco operatório é um sistema. Atrasos podem nascer de condutas individuais, mas também de desenho ruim de agenda, incentivos desalinhados ou falta de integração com outras áreas. O dado deve servir para corrigir o sistema, não apenas apontar culpados.


Uma forma prática de começar


Um caminho simples para os primeiros 60 a 90 dias é escolher de três a cinco procedimentos relevantes e montar uma análise-piloto.


O hospital pode seguir esta sequência:


  1. Selecionar procedimentos com volume, custo ou margem relevantes.

  2. Mapear as etapas da jornada cirúrgica.

  3. Medir tempos reais por amostra representativa.

  4. Calcular taxa de custo por minuto dos principais recursos.

  5. Comparar custo real, preço praticado e margem.

  6. Identificar esperas, atrasos e capacidade ociosa.

  7. Ajustar agenda, processo ou negociação com base no achado.


Esse piloto já costuma mostrar diferenças importantes entre custo médio contábil e custo operacional real. Também ajuda a criar uma linguagem comum entre assistência, administração e finanças.


Vai montar um centro cirúrgico? Baixe o guia completo.
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O dado certo muda a conversa sobre margem


O TDABC não resolve sozinho problemas de agenda, contratos ou fluxo cirúrgico. Mas ele muda a qualidade da conversa. Em vez de discutir impressões, o hospital passa a discutir tempo, capacidade, custo e margem com base em dados observáveis.


Para a gestão de custos hospitalares, isso é um avanço relevante. Para o bloco operatório, é uma forma de mostrar onde a estrutura está gerando valor e onde está apenas consumindo recursos. Para a margem centro cirúrgico, é um passo para separar volume de rentabilidade.


A maior oportunidade está nos minutos que ninguém enxerga. Aqueles entre uma cirurgia e outra, antes da entrada do paciente, depois da saída de sala ou presos em gargalos fora do bloco. Quando esses minutos ganham custo, origem e dono do processo, a operação encontra espaço para melhorar resultado sem comprometer segurança assistencial.


Este conteúdo é informativo e não substitui uma análise financeira, contábil ou operacional específica para cada instituição. O próximo passo é medir a capacidade prática, calcular o custo por minuto e usar esses dados para redesenhar agenda, precificação e fluxo cirúrgico com mais precisão.


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