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Como Calcular o Lucro Real de Cada Procedimento na Sua Clínica (Com Exemplos Práticos)

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    Admin
  • 27 de mai.
  • 4 min de leitura

Como Calcular o Lucro Real de Cada Procedimento na Sua Clínica (Com Exemplos Práticos)
Como Calcular o Lucro Real de Cada Procedimento na Sua Clínica (Com Exemplos Práticos)

Descubra por que faturamento não é lucro e aprenda a medir, com precisão, quanto cada atendimento realmente gera de resultado financeiro


Por que a maioria das clínicas não sabe quanto realmente lucra


Um dos erros mais comuns na gestão de clínicas médicas e odontológicas é confundir faturamento com lucro. Muitos gestores analisam apenas o valor cobrado por um procedimento e assumem que aquele montante representa ganho financeiro. Na prática, isso está longe da realidade. Entre o valor pago pelo paciente e o lucro efetivo, existe uma série de custos que precisam ser considerados — e ignorá-los pode levar a decisões equivocadas e prejuízos silenciosos.


Esse problema se agrava em clínicas que trabalham com convênios, parcelamentos ou repasses para profissionais. Nesses casos, o valor recebido pode ser diluído ao longo do tempo, enquanto os custos operacionais acontecem de forma imediata. Isso gera uma falsa sensação de rentabilidade, quando na verdade o caixa pode estar sendo pressionado.


Estudos de gestão em saúde indicam que mais de 60% das clínicas não possuem clareza sobre sua margem real por procedimento, o que compromete diretamente sua sustentabilidade financeira.


Além disso, quando o gestor não conhece o lucro real, ele perde a capacidade de tomar decisões estratégicas. Não sabe quais serviços priorizar, quais ajustar ou até mesmo quais deixar de oferecer. Em um mercado competitivo, onde custos são elevados e margens cada vez mais pressionadas, essa falta de controle pode ser o fator determinante entre crescimento e estagnação.



O que deve ser considerado no cálculo do lucro real


Para calcular o lucro real de um procedimento, é necessário ir muito além do preço cobrado. O primeiro passo é entender que existem três grandes grupos de custos envolvidos: custos variáveis, custos fixos e repasses ou comissões. Cada um deles impacta diretamente o resultado final e precisa ser mensurado com precisão.


Os custos variáveis são aqueles diretamente ligados à execução do procedimento. Incluem materiais, medicamentos, laboratório, descartáveis e taxas de cartão. Por exemplo, em um procedimento odontológico de R$ 1.000, os custos com materiais podem chegar a R$ 150, taxas de cartão a R$ 50 e laboratório a R$ 200. Só nesses itens, já temos R$ 400 de custo direto, reduzindo significativamente a margem inicial percebida.


Já os custos fixos representam a estrutura da clínica: aluguel, equipe administrativa, energia, sistemas, marketing e outros. Embora não estejam diretamente ligados a um único procedimento, precisam ser rateados. Uma forma prática é calcular o custo por hora da clínica. Se a clínica possui R$ 60.000 de custos fixos mensais e opera 200 horas por mês, o custo por hora é de R$ 300. Se um procedimento dura 1 hora, esse valor deve ser considerado no cálculo.


Por fim, temos os repasses para profissionais, que podem ser fixos ou percentuais. Em muitas clínicas, o repasse varia entre 30% e 50% do valor do procedimento. Se um procedimento de R$ 1.000 tem um repasse de 40%, isso representa R$ 400. Quando somamos todos os custos, percebemos que o lucro real pode ser muito menor do que o esperado — ou até inexistente.


Como calcular o lucro real na prática (passo a passo)


Para tornar esse cálculo mais claro, vamos a um exemplo prático. Imagine um procedimento com valor de venda de R$ 1.200. A primeira etapa é subtrair os custos variáveis. Suponha que materiais e laboratório somem R$ 300, e taxas de cartão representem R$ 60. O total de custos variáveis é de R$ 360.


Em seguida, calculamos o custo fixo proporcional. Se o procedimento dura 1,5 hora e o custo da clínica é de R$ 300 por hora, teremos um custo fixo de R$ 450. Até aqui, já acumulamos R$ 810 em custos (R$ 360 + R$ 450).


Agora, adicionamos o repasse profissional. Considerando 40% sobre o valor do procedimento, temos R$ 480. Somando todos os custos: R$ 360 (variáveis) + R$ 450 (fixos) + R$ 480 (repasse) = R$ 1.290.


Ou seja, apesar de o procedimento ser vendido por R$ 1.200, ele gera um prejuízo de R$ 90. Esse tipo de situação é extremamente comum e passa despercebido quando não há um controle detalhado. Em muitos casos, clínicas aumentam o volume de atendimentos tentando compensar perdas, quando na verdade estão ampliando o prejuízo.


Exemplo prático: clínicas que implementam esse tipo de análise frequentemente identificam que 20% a 30% dos seus procedimentos são pouco rentáveis ou até negativos. Ao ajustar preços, renegociar custos ou reorganizar o mix de serviços, conseguem aumentar o lucro sem precisar aumentar o número de pacientes.


Como usar essa informação para tomar decisões estratégicas



Calcular o lucro real não é apenas uma atividade financeira — é uma ferramenta estratégica. Quando o gestor entende quais procedimentos são mais rentáveis, ele pode reorganizar a agenda, priorizando serviços com maior margem. Isso permite aumentar o lucro mesmo mantendo o mesmo volume de atendimentos.


Outra aplicação importante está na precificação. Muitos preços são definidos com base no mercado ou na concorrência, sem considerar a estrutura interna da clínica. Ao conhecer o custo real, o gestor pode ajustar valores com mais segurança, garantindo competitividade sem comprometer a margem. Em alguns casos, um aumento de 10% no preço pode representar um crescimento de mais de 30% no lucro líquido daquele procedimento.


Além disso, essa análise permite avaliar convênios e parcerias. Muitos contratos são mantidos mesmo sendo financeiramente inviáveis. Com dados claros, a clínica pode negociar melhores condições ou até decidir pela saída estratégica de determinados convênios que comprometem o resultado global.


Conclusão: lucro não é o que entra, é o que sobra


A sustentabilidade financeira de uma clínica não depende apenas de volume de atendimentos, mas da qualidade da receita gerada. Saber exatamente quanto cada procedimento lucra é o que permite crescer com segurança, previsibilidade e controle.


Clínicas que dominam seus números conseguem tomar decisões mais inteligentes, evitar prejuízos invisíveis e estruturar um modelo de negócio mais eficiente. Elas deixam de operar no improviso e passam a atuar de forma estratégica, com base em dados concretos.


Se você ainda não calcula o lucro real dos seus procedimentos, este é um dos ajustes mais importantes que pode fazer na gestão da sua clínica. Não se trata apenas de ganhar mais — trata-se de garantir que o seu negócio continue saudável, competitivo e preparado para crescer de forma sustentável.


Para mais informações sobre nosso trabalho e como podemos ajudar sua clínica ou consultório, entre em contato!


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